
Ela é usada por militares, políticos, religiosos e gente querendo sua grana. Saiba como ela funciona e aprenda a blindar sua mente
O que se sabe é que nesse processo, seja qual for a estratégia, é essencial o elemento surpresa. Isso porque somos programados para reagir imediatamente a estímulos intensos, ou seja, se alguém quiser provocar novas crenças e comportamentos em alguém, precisa criar situações que exijam reações automáticas, pois nelas o processo consciente é desativado.
“Quando algo provoca uma reação emocional, o cérebro se mobiliza para lidar com ela, destinando poucos recursos a reflexões”, explica Kathleen Taylor da Universidade Oxford. Por isso que se diz que a idéia é “engatada” à sensação: sempre que aquele assunto vier a tona, a sensação vem a reboque, num processo conhecido como reflexo condicionado.
É o que acontece em um culto daqueles intensos em que a pessoa dança, canta, grita, inunda o corpo de endorfina. Inconscientemente, a sensação de bem-estar passa a ser associada àquela religião. O processo começa leve, quase recreativo, e vai aumentado de intensidade. No fim, o individuo está convertido e dependente. Para quem está observando de fora, parece que essas pessoas estão felizes. Acontece que, na verdade, elas são orientadas a sorrir o tempo todo. A pessoa envolvida com esse tipo de grupo se vê aos poucos dominada por medos paralisantes que chegam ao ponto de impedir que ela questione a situação. Os cultos de controle da mente passam a seus membros a sensação de que, se eles saírem do grupo, coisas horríveis acontecerão. Conquistado, o “cerebralmente lavado” se torna cada vez mais envolvido e dependente. Alem disso, ainda há uma hierarquia rígida à qual o sujeito deve se submeter: são criados modos uniformizados de agir e pensar, desenvolvidos para parecer espontâneos. A vitima é convencida da autoridade absoluta e do caráter especial – as, vezes, sobrenatural – do líder. (...)
Para a escritora Kathleen Taylor, a principal arma para evitar manipulações é, basicamente, “parar e pensar nas coisas”. Sem se deixar levar pela afobação, fica fácil resistir tanto ao discurso nacionalista de um político quanto ao papo emocional de um pregador religioso. Outro ponto importante é não subestimar a influência que o meio e a autoridade podem ter sobre nós. A necessidade de ser aceito em um grupo leva muitas vezes ao “efeito – rebanho”, isto é “maria- vai – com – as - outras”. Desenvolver criatividade, pensar sobre a vida, questionar o que é escutado e lido, aprender coisas novas, estudar relações entre assuntos aparentemente não relacionados, tudo isso deixa o cérebro mais resistente à manipulação. (...)
O importante é saber que nossa mente não está pronta e acabada, mas permanentemente em obras. Entender que somos influenciáveis e que nossa identidade é mutante nos torna mais espertos para avaliar uma tentativa de persuasão.


























