A resposta é NÃO. Até hoje não vi nenhum heterossexual acordar pela manhã e dizer "hoje quero ser gay" ou algum gay deitar-se a noite e decidir "amanhã acordarei gostando de pessoas do sexo oposto". Por incrível que pareça (não tão incrível assim se falarmos de Brasil, o país mais preconceituoso e hipócrita do mundo), ainda há quem pense dessa forma e atribua e/ou reduza as práticas homossexuais de um individuo à questão optativa.
Consideremos algumas coisas importantes: Primeiro, o homossexualismo (não para todos, é bom que fique claro) está longe de ser algo exclusivamente sexual. Estamos acostumados a levar para a cama quase todos os nossos assuntos mais importantes, e eu já disse uma vez aqui nesse espaço que o que menos deveria nos interessar nesse mundo cheio de tanta outras coisas discutíveis é a forma como goza uma pessoa. A cama está e deve ficar no quarto! O sexo homossexual é apenas uma pequena parte num conjunto amplo de manifestações de um indivíduo gay. Por isso afirmam alguns - embora não possa negar que muitos contribuíram para isso - que a imagem estereotipada de um gay é algo negativo, depreciativo, e não é.
Segundo, o homem que se relaciona afetivamente (ou não) com outro homem ou uma mulher com outra mulher buscam exatamente as mesmas coisas que buscam os ditos "normais”. Vejo nesses embates jurídicos e legislativos travados pelos órgãos de defesa dos homossexuais a intenção maior que estes seres humanos, também normais, sejam vistos como realmente são. Certa vez, li uma entrevista de Bruno Chateaubriand em que dizia que a única opção que um homossexual tem é a de assumir publicamente o desejo por alguém do mesmo sexo ou ter uma vida paralela, no mais, não há opções. Nessa mesma entrevista, ele lamenta o fato de que só é aceito pela "sociedade" por que tem uma boa condição financeira. Por isso digo que o Brasil é preconceituoso e hipócrita: Bruno é bem visto por que tem dinheiro, se não fosse assim seria apenas mais uma bichinha cheia de outros tantos apelidos maldosos e aviltantes.
Ser gay não é uma opção, mas uma condição como qualquer outra. Assim como ser branco, negro, ter olhos claros ou escuros. Não é uma anormalidade. Houve um tempo em que judeus, negros, índios, entre outros, não eram considerados 'gente' e foram mortos impunemente, sem dó nem piedade (ainda fazem isso hoje!). Agora, insistimos em matar as pessoas sufocando-as à uma condição de miséria e despojo social, motivados por nossas limitadas concepções ideológicas, políticas, religiosas e sociais. Matamos as pessoas na sua essência e essa é a pior das mortes.
Disse Bruno em sua entrevista: “Eu não tenho vontade de fazer um casamento escandaloso para chocar as pessoas, ou sair beijando na boca no meio da rua. Tenho vontade de fazer coisas simples, do dia-a-dia. Por exemplo: nós viajamos muito para o exterior e, na fila da imigração, sempre observo que casais heterossexuais se apresentam juntos na hora de mostrar os passaportes. Se há algum problema com um dos dois, o outro socorre."
Gay é isso e isso é ser normal, não é? A resposta é SIM.













