sábado, 8 de maio de 2010

O JORDÃO DE VERDADE

Como prometi, escrevo agora minhas impressões (o mais verossímel possível) sobre a pequenina cidade de Jordão. Começo com o adjetivo "pequenina" por que é essa a primeira coisa que se pensa quando se sobrevoa a cidade. A pista do aerporto - bem melhor que a de Santa Rosa - é asfaltada e dá acesso direto à cidade que, logo no seu começo - ou seu fim - nos brinda com a visão de duas bonitas escolas. Algumas ruas têm calçamento de tijolo e outras,principamente as transversais, são de terra batida e se chover...
O povo é calmo, extremamente hospitaleiro e educado, e foi exatamente por causa disso que não me senti tão sozinho nesse lugar que, de barco nessa época do ano, mantém contato com Tarauacá - outra cidade acriana - após sete dias de viagem. Falo de solidão porque - acostumado com os avanaços tecnológicos - sofri um pouco com a considerável falta de comunicação que o município possui. Há, espalhados pela cidade, alguns poucos telefones públicos, mas nos dias em que estive lá, apenas um funcionava. Não há sinal de telefone móvel. Como o único lugar em que há internete atualmente em Jordão é na escola Manoel de Farias, as pessoas chegam a formar fila nos orelhão da OI (eu entrei nela várias vezes) para tentar (digo tentar porque, às vezes, é só isso que se consegue) fazer uma ligação para fora cidade.
Jordão, como todas as cidades do Acre, nasceu na beira de um rio que, em época de estiagem, torna-se um bom lugar de diversão. Nesse caso, o único. Aos domingos, pude ver muitas criancas, jovens e adultos indo até a margem para se refrescar do intenso calor e se divertir um pouco. A cidade não tem praças.
Os motoqueiros não usam capacete. E por falar em moto, há bastante, se considerarmos as condições demográficas. Carros só vi um, além de um trator e dois caminhões.
A matéria exibida no Fantásitico da Globo, e contraposta pela imprensa estatal do Acre, abordava como grande poblema a dificuldade de acesso a itens básicos e comuns na mesa dos brasileiros. Em parte é verdade: é difícil encontrar tomate, cenoura, beterrada, entre outros legumes, em comércios na cidade. Na verdade, não tem. A não ser que alguém de outra cidade os leve (como foi o meu caso), o que causa um certo assombro nos moradores locais. Vi algumas verduras comuns, dessas que se cultivam facilmente em casa, porém, coisas mais "elaboradas", essas não vi mesmo. O chuchu - motivo de tanta discussão - alguns nem sabem o que é. Mas, isso não altera (muito) a vida das pessoas. Os que vivem em Jordão adaptaram-se a esse modo de vida. Mais difícil é para aqueles vêm de outros lugares e não estão habituados a essas faltas (como também é o meu caso). O povo de lá procura suprir suas necessidades substituindo alguns alimentos por outros a fim de manter-se saudável. E como saúde tem a ver com tranquilidade, disso o povo do Jordão tem que orgulhar: a cidade praticamente dorme quando o sol se põe. Não fosse pelas escolas que funcionam até bem tarde, não se veria ninguém na rua após as oito da noite. Me esforcei para não me "contaminar" com essa calma toda, afinal voltaria para Rio Branco e aqui a coisa não 'tá fácil, não dá pra baixar a guarda. (Secretaria de Segurança, acorda!).
Essa foi a Jordão que conheci. Lamento por não conseguir me comunicar mais com os bons amigos que fiz por lá, mas espero vê-los em breve.
Jordão não é a cidade que não tem chuveiros como disse a Globo, nem o melhor lugar do mundo como disse a TV Aldeia, mas é um bom pedacinho do Acre, cheio de gente agradável e ordeira que sabe respeitar o lugar em que vive e receber bem os que vêm de fora.

3 comentários:

Aurilene Silveira disse...

Adorei o texto. Tive a oportunidade de, por duas vezes, passar uns dias no município e posso dizer que o autor foi realmente bastante verossímel.Com uma linguagem extremamante elegante, porém acessivel e descontraída ao mesmo tempo; revivi alguns momentos; senti como se estivesse novamente na pequenina cidade de Jordão. Parabéns.Vc é um excelente colunista.

Markinhos disse...

Adorei a postagem também...
Está numa linguagem bastante acessível e o colunista mostra isso nos parágrafos descritos.
Nunca tive oportunidade de ir ao Jordão, mas com certeza,se fosse, seria uma experiência interessante pra mim.

Ana Cristina disse...

Que bela descrição da pequena cidade. Já tive oportunidade de ir até lá mas tenho pavor de avião pequeno, plena bobagem, o grande é pior kkkk.
Quem sabe um dia teremos acesso terrestre.

Boas indas ao Jordão, Santa Rosa etc