segunda-feira, 14 de junho de 2010

PRESIDENTE OU PRESIDENTA?

Em sua convenção nacional realizada ontem, o Partido dos Trabalhadores (PT) ratificou a candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República. Seus marketeiros aproveitaram a ocasião para dar o tom desse início de campanha, apresentando o jingle e trabalhando sua “alma de mulher”.

Em uma tentativa de convencer as mulheres do próprio partido de que sua candidata defenderia temas caros a elas, nas primeiras filas do auditório foram distribuídas bandeirinhas lilás, cor símbolo do movimento feminista. Maria da Penha, que dá nome à lei de violência contra as mulheres, estava na platéia, em mais uma demonstração de preocupação com o voto feminino.

Mas as coisas param por aí: a proximidade de Dilma com pautas feministas vai até um certo limite, o da candidatura bem sucedida. Tanto que, diferentemente do que estava previsto, seu slogan não será mais “Dilma presidenta”, mas sim “presidente”.

Parece pouco? Mas não é. “A língua não é neutra e reflete a relação dos sexos na sociedade e a posição da mulher nesta relação. A língua é o espelho no qual a sociedade se reflete. O predomínio do masculino na sociedade significa que o masculino determina o uso da língua. De fato o gênero masculino tem prevalecido sobre o feminino. A linguagem sexista ocorre quando uma pessoa emite uma mensagem que, por suas formas, palavras ou pelo modo de estruturá-la resulta em discriminação por razão do sexo”, afirma a pesquisadora argentina Sonia Santoro.

Não é à toa que lá, onde essa discussão está em outro patamar, Cristina Kirchner é chamada de “presidenta” do país pelos meios de comunicação. E tampouco que a imprensa por aqui, ao perceber isso, convocou especialistas como Pasquale Cipro Neto para discutir a pertinência gramatical de tal uso, sem admitir que se tratava de uma opção política.

Será que Dilma também vai abandonar o discurso a favor da descriminalização do aborto ao longo da campanha?

Por Maíra Kubík em Viva Mulher

3 comentários:

Faluz disse...

Caraca, adorei o Artigo... E concordo plenamente com os questionamentos propostos lá. Será que Dilma irá abandonar discussões importantes como as já postas? Será que Dilma vai parar de falar tanta besteira na TV. Será que Dilma vai se mostrar tão cega e surda como o nosso tão amado presidente atual??? Será???

Acreucho disse...

Não sou professor, mas, acho que "presidenta" é um palavrão. Não acho que a presidência de uma empresa ou país, seja diminuída por se usar o masculino do gênero. Realize comigo: anuncia o locutor numa solenidade - E agora senhoras e senhores a presidenta do Brasil... Soa mal, muito mal. Parece mais coisa de clubinho de rua...

VÍTOR FARIAS disse...

Concordo com você, caro Acreucho, por dois motivos: o primeiro eu já até escrevi no texto "SOBRE TODAS E TODAS", em postagem anterior. O segundo, por que não quero tê-la como "presidenta".